Fisioterapia no tratamento do Câncer de cabeça e pescoço

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VOCÊ SABE O QUE É CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO?

É considerado câncer de cabeça e pescoço toda neoplasia que acomete a cavidade oral ( mucosa da boca, lábios, língua, assoalho da boca, palato duro e gengivas), faringe (nasofaringe, orofaringe, hipofaringe), laringe, cavidade nasal, seios paranasais, tiroide, parótida, glândulas salivares, tumores odontogênicos, orelha e sistema paraganglionar.

A incidência mundial das neoplasias de cavidade oral foi estimada no Brasil 11.140 mil casos novos em homens e 43350 em mulheres, em laringe foram 6.360 homens e 990 mulheres só em tireóide que a incidência de inverte, onde as mulheres tem mais chance de desenvolver com 5870 mulheres para 1090 homens. O câncer de CP é a 6º causa de morte por câncer no mundo, suas taxas de incidência e prevalência tendem a ser mais altas nos países em desenvolvimento.

Isso acontece devido as diferenças de hábitos , características socioeconômicas, expectativa de vida, fatores ambientais, etnia, educação preventiva e qualidade da assistência médica nas diversas regiões.

O principal fator de risco para os tumores de CP é o tabagismo, com exceção do câncer de tireoide que é a radiação ionizante e o aumento de iodo na dieta e os tumores de lábio, onde o principal fator é a exposição solar. Porém existem outros fatores como infecção por HPV ou vírus Epstein-Barr, má nutrição, má higiene bucal e suscetibilidade genética. Os sintomas mais comuns são: rouquidão frequente, dor de garganta persistente por mais de duas semanas, epistaxe, otalgia, obstrução nasal, massas no pescoço, disfagia, disfonia, lesões bucais que não cicatrizam e linfonodos cervicais palpáveis. O diagnóstico é feito inicialmente com um exame físico minucioso, caso haja algum sinal ou sintoma que sugira uma neoplasia serão solicitados exames de imagem como ressonância magnética, tomografia, radiografia, endoscopia, biopsia com agulha fina ou incisional e marcadores tumorais (CEA, EGFR).

O tratamento do Câncer CP baseia-se nas características individuais de cada paciente, no estágio da doença, no tipo histológico, na localização e no estadiamento, para o qual normalmente utiliza-se a classificação TNM (T= tamanho do tumor, N= numero de linfonodos acometidos, M = se há ou não metástase). As condutas mais frequentes incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, sendo o tratamento incial formado por cirurgia e radioterapia, e a quimioterapia costuma a ser o tratamento adicional. Geralmente os pacientes com tumores iniciais e localizados no sitio de origem se beneficiam tanto da cirurgia quanto da RT isoladamente, já em estágios mais avançados, já se associa a cirurgia com RT e/ou QT. As cirurgias tendem a ser o mais conservadoras possíveis, porém no Brasil, ainda temos um grande número de cirurgias radicais, isso deve-se provavelmente em virtude do diagnóstico tão tardio da doença.

Os tipos de cirurgia dependem da localização do tumor e consistem na ressecção ampla com margens maiores que 1 cm, associadas ou não ao esvaziamento cervical e/ou reconstrução imediata. É importante que o fisioterapeuta esteja familiarizado com a nomenclatura e distribuição anatômica dos níveis linfonodais como mostra a imagem abaixo: Esvaziamento cervical radical: Remoção de todos os grupos de linfonodos cervicais ipisilaterais, musculo ECM, veia jugular interna e nervo acessório.

Esvaziamento cervical estendido/ampliado: esvaziamento cervical radical mais pelo menos uma estrutura linfática ou não linfática não retirado durante a dissecção radical (linfonodos parafaringeos, mediastinal superior, perifacial, artéria e carótida). Esvaziamento cervical radical modificado: preserva pelo menos uma das estruturas maiores (músculo ECM, VJI e NA). Esvaziamento cervical seletivo: Pelo menos um dos seis níveis de linfonodos é preservado, nenhum das estruturas ECM, VJI e NA são retiradas.

TRATAMENTO FISIOTERAPEUTICO

O tratamento fisioterapêutico das complicações mais comuns decorrentes do tratamento do câncer de CP inclui diferentes condutas e objetivos e pode durar semanas, meses e até anos. As principais complicações são: linfedema, dor, hipoestesia, anestesia, aderências cicatriciais, fibrose, diminuição de força muscular, diminuição de ADM, déficit na mímica facial, trismo, paralisia facial e mucosite oral.

A fisioterapia tem uma atuação com grande eficácia em todas essas complicações, sendo estas: Drenagem linfática manual; Linfotaping; Pompage e terapia manual; Massagem clássica; TENS; Vacuoterapia; Alta frequência; Laser; Exercícios de flexibilidade; Exercicios de mímica facial; Exercícios de fortalecimento; Exercicios para ganho de ADM; Terapia compressiva; Orientações domiciliares.

SINDROME DO OMBRO CAÍDO, TRISMO E MUCOSITE ORAL… O QUE SÃO?

São três das principais complicações específicas do câncer de cabeça e Pescoço. Vamos então entender cada uma delas e falar sobre a atuação da fisioterapia. Síndrome do Ombro caído: Ocorre por uma lesão do nervo acessório após o esvaziamento cervical (radicais modificados ou seletivos), seja ela parcial ou completa. O paciente apresenta dor, limitação para abdução de ombro, deformidade na posição da escápula e em casos mais avançados capsulite adesiva.

O prognóstico vai depender do tipo de lesão nervosa.

O tratamento fisioterapêutico inclui: terapia manual por meio de massagem e liberação miofascial na região de cervical, torácica, escapular e ombro, TENS pra analgesia e relaxamento, reeducação postural e muscular, principalmente de escápula, por meio de exercícios combinados nessa sequência: alongamentos e exercícios de relaxamento, exercícios ativos, resistidos para fortalecimento progressivo da musculatura escapular e alinhamento postural. TRISMO: É um espasmo tônico dos músculos da mastigação associado a hipomobilidade mandibular causado por infiltração tumoral, extensão cirúrgica, aderências e fibroses radioinduzidas nos músculos da mastigação e/ou ATM.

A fisioterapia atua com técnicas manuais, massagem lenta e leve dos músculos mastigatórios com manobras extra e intraoral, mobilização da ATM, liberação miofascial das estruturas craniofaciais, musculatura cervical e mandíbula, cinesioterapia, alongamentos passivos e ativos, treino de abertura da boca com dispositivos ( abaixadores da língua empilhados e inseridosentre os dentes nas laterais da boca do paciente, abaixadores adicionais são então introduzidos para o meio da pilha, forçando a ADM mandibular ou existe também o Therabite Jow Motion Rehabilitation System é um dispositivo de plástico que é colocado na boca que atua com a aplicação de força manual por meio de alavancas de plástico. A força de abertura é proporcional a quão rígidas as alavancas do dispositivo são apertadas.), podemos usar também o TENS e técnicas taping para dor e relaxamento. MUCOSITE ORAL: é considera um complicação aguda e extremamente dolorosa, leva a interrupção do tratamento em 19% dos casos e o aumento do consumo de opioides e de nutrição paraenteral ou enteral.

O tratamento fisioterapêutico consiste em laserterapia de baixa intensidade intra/extra oral em razão de sua capacidade de estimular a fotobiomodulação, cujas vias metabólicas desencadeiam inúmeras reações químicas capazes de estimular a cicatrização, reduzir a inflamação, prevenir a fibrose, diminuir a dor e aumentar as funções diferentes tecidos.

Esse não é um procedimento específico da fisioterapia, dentistas também podem realizar a aplicação. ATENÇÃO: evitar aplicar sobre as áreas tumorais pela falta de seguimento em relação com a angiogênese e desenvolvimento de recidivas e metástases. VOCÊ SABIA??? Abril é considerado mundialmente o mês de prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço, que é simbolizado com o laço Borgonha marfim.

Referências Bibliográficas: Manual de Condutas e Práticas de Fisioterapia em Oncologia: Neoplasias de Cabeça e Pescoço.

Até a próxima. Abraços

Dra. Pâmella Cipriano

 

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