Como eleger o paciente cardíaco ao programa de Reabilitação?



 

Diante desta e inúmeras perguntas é que iremos abordar e levar a reflexão sobre alguns pontos marcantes deste perfil de pacientes cardíacos.

Fundamentalmente devemos saber identificar qual a causa cardíaca que o paciente apresenta, por exemplo; Cardiomegalia (aumento da área cardíaca), Insuficiência cardíaca, Infarto agudo do miocárdico, síndrome coronariana, cirurgia cardíaca e outros.

Caso tenha dificuldade de encontrar o paciente elegível ao programa de reabilitação, recomendo a leitura do primeiro post de como avaliar o doente cardiopata( https://fisioteraloucos.com.br/avaliacao-e-reabilitacao-no-paciente-cardiopata-o-que-voce-sabe-sobre-o-assunto/) , para então conseguir entender o paciente com uma causa cardíaca, levando em consideração o achado principal e a procura da unidade de saúde.

Mediante o diagnóstico do paciente, assim como todos achados clínicos como padrão respiratório, ausculta pulmonar, edemas, estase jugular, sinais de congestão, avaliação multiparamétrica, é importante a investigação de causas eminente de dor (retroesternal/com irradiação para mandíbula, pescoço, nuca, ombros e braços ou dorso, dor em aperto ou queimação, dor na região abdominal (epigástrica) levando ao quadro de náuseas ou vômitos, dor persistente que piora durante atividade ou melhora ao repouso), sudorese intensa e dispneia.

É de extrema importância a avaliação fisioterapêutica e cinético funcional, compreender identificar o quanto esse paciente apresenta queixas em comparação a sua admissão hospitalar. A avaliação fisioterapêutica é extremamente importante, pois ela que ira definir a conduta mais adequada a ser realizada de acordo com a necessidade do paciente, evitando que técnicas desnecessárias sejam utilizadas.

Deve-se avaliar o paciente de forma global, começando pela anamnese e seguindo para os sinais vitais, exame neurológico, exame físico, ventilação mecânica, exames radiológicos, hemodinâmicos e bioquímicos, para traçar os objetivos e realizar o melhor tratamento ao paciente grave, esta avaliação deve ser constante e contínua para que se obtenha um bom resultado.

Conceitualmente mediante a Resolução 80 do COFFITO de 09 de maio de 1987: a respeito do diagnóstico fisioterapêutico físico funcional. Art. 1º. É competência do FISIOTERAPEUTA, elaborar o diagnóstico fisioterapêutico compreendido como avaliação físico-funcional, sendo esta, um processo pelo qual, através de metodologias e técnicas fisioterapêuticas, são analisados e estudados os desvios físico-funcionais intercorrentes, na sua estrutura no seu funcionamento, com a finalidade de detectar e parametrar as alterações apresentadas, considerados os desvios dos graus de normalidade para os de anormalidade; prescrever, baseado no constatado na avaliação físico-funcional as técnicas próprias da Fisioterapia, qualificando-as e quantificando-as; dar ordenação ao processo terapêutico no paciente; dar alta nos serviços de Fisioterapia, utilizando o critério de reavaliações sucessivas que demonstrem não haver alterações que indiquem a necessidade de continuidade destas práticas terapêuticas.

 

Como seria avaliação cinética funcional?Sem título

A avaliação cinético-funcional tem a finalidade de caracterizar, por meio de métodos e técnicas de avaliação específica, o grau de desempenho funcional nos mais diversos sistemas orgânicos.

Através dela o fisioterapeuta pode elaborar o diagnóstico cinéticofuncional, indispensável ao planejamento e desenvolvimento dos programas de reabilitação, prevenção ou tratamento das mais diversificadas patologias, bem como referente a capacidade funcional do sistema musculoesquelético, compreendido por músculos, tendões, nervos, ossos, cartilagens e ligamentos.

Associações nacionais e internacionais, como a associação americana de reabilitação cardiovascular e pulmonar, bem como a associação européia de prevenção e reabilitação cardiovascular, estabeleceram os principais componentes da reabilitação cardíaca.

Estes incluem avaliação basal dos pacientes, treinamento e aconselhamento sobre atividades físicas, aconselhamento nutricional, gerenciamento de fatores de risco (dislipidemia, hipertensão, obesidade, diabetes mellitus e tabagismo), bem como intervenções psicossociais e aconselhamento.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a reabilitação cardiovascular é: “O conjunto de atividades necessárias para assegurar às pessoas com doenças cardiovasculares condição física, mental e social ótima, que lhes permita ocupar pelos seus próprios meios um lugar tão normal quanto seja possível na sociedade”.

Então como saber se o paciente é elegível para o programa de reabilitação cardíaca?

Diretrizes de cardiologia tem demostrado que tanto o exercício formal quanto o incremento informal nos níveis de atividade física se associam a uma acentuada redução da mortalidade em indivíduos com e sem doença coronária.

Em um estudo realizado em Olmsted – Minnesota, arrolando pacientes que participaram de programas de Reabilitação Cardiovascular, constataram uma redução de 25% na taxa de eventos cardiovasculares para cada incremento de equivalente metabólico (MET) na capacidade funcional. Sabe-se que o incremento por cada mL/(Kg.min)do consumo máximo de oxigênio, mediante um programa de reabilitação cardiovascular, produz uma diminuição da mortalidade de aproximadamente 10%.Os pacientes elegíveis para reabilitação cardiovascular em um contexto de prevenção secundária são aqueles que apresentam pelo menos um dos seguintes quadros cardiovasculares nos últimos anos;Sem título

Mas então o que é estimativa do equivalente metabólico – MET ?

Com o objetivo de padronizar as unidades de METs para as diferentes atividades físicas foi criado o Compendium of Physical Activities em 1987 e publicado por Ainsworth et al. em 1993. O Compêndio de Atividades Físicas foi revisado no ano 2000 e mais recentemente em 2011, fornecendo atualizações sobre os valores de METs e adição de novas atividades físicas. A contextualização do equivalente metabólico (MET), metodologia considerada simples e prática para a estimativa do gasto energético de exercícios e atividades físicas em adultos.

É um termo utilizado comumente por educadores físicos, nutricionistas e pela comunidade média para expressar a elevação do metabolismo em repouso. A calorimetria indireta é o método tecnológico atualmente portátil, favorece a medição direta do consumo de oxigênio em diversas atividades físicas e fora do laboratório, sendo mais utilizado em pesquisas, pelo qual o metabolismo energético é estimado a partir do consumo de oxigênio e produção de dióxido de carbono. No entanto, o seu uso é restrito devido ao alto custo financeiro do equipamento.

De forma geral, os elementos que compõem o gasto energético total são representados pela taxa metabólica, sendo o consumo deste reflete a oxidação dos macro nutrientes, a partir da análise dos gases expirados, sendo possível determinar o metabolismo basal/repouso, efeito térmico dos alimentos (ETA) e gasto energético resultante das atividades físicas.

O valor de 1 MET representa a taxa média do consumo de oxigênio em repouso, o qual é expresso pelo valor relativo de 3,5 mL de oxigênio por quilograma de massa corporal por minuto (3,5 mL/kg/min) ou pelo valor aproximado de 1 kcal/kg/h. Embora o resultado não seja exato, a calorimetria indireta determina o gasto energético considerando o valor padrão de 0,005 kcal/mL de oxigênio consumido

Considerando o seguinte exemplo: um homem com massa corporal de 80 kg e uma mulher com massa corporal de 67 kg, o gasto energético em repouso estimado seria de 1,4 kcal/min e 1,17 kcal/min, respectivamente.

1 MET (3,5) x 0,005= 0,0175 (Kcal/Kg/min) x 80 (Kg) = 1,4 Kcal/min

1MET (3,5) x 0,005= 0,0175 (Kcal/Kg/min) x 67(Kg) = 1,17 Kcal/min

 

Acompanhe nossas postagens e novidades sobre os pacientes Cardíacos.

Vejo vocês em breve.

Abraços.

Dr. Moises Oliveira

 

Referências http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-35552016000600592&script=sci_arttext http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2014/Diretriz_de_Consenso%20Sul-Americano.pdf https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4389528/

 

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