Fisioterapia EAD põe em risco autonomia do Fisioterapeuta.



Fisioterapia EAD põe em risco autonomia do Fisioterapeuta.

Os Cursos à Distância estão avançando sobre o setor presencial da Educação no Brasil. A evolução dos meios de comunicação e tecnologias da informação facilitaram o acesso à internet para muitas pessoas. Entretanto, o desvio de sua finalidade inicial expõe a sociedade a risco quando a formação é à distancia, principalmente quando trazemos o conceitos do EAD para a formação do profissional da saúde.

O Fisioterapeuta possui uma formação ampla e construída através das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia, estipulado pela RESOLUÇÃO CNE/CES 4, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002. Tal formação tem como objetivo formar/construir o Fisioterapeuta com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base no rigor científico e intelectual.

A formação em Fisioterapia exige o desenvolvimento de habilidades e competências que requerem supervisão docente constante e contato direto com o paciente. Tais recursos são desenvolvidas no decorrer do processo de graduação, através de componentes curriculares referentes aos conhecimentos específicos do curso, que vão desde às Ciências Biológicas às Ciências Sociais e Humanas. Esses conhecimentos instrumentalizam a prática futura do profissional nas diversas áreas de atuação, em diferentes níveis de atenção e etapas do seu desenvolvimento.

O risco à autonomia do Fisioterapeuta

A Fisioterapia vem se desenvolvendo com independência e com produções científicas próprias, o que reafirma a sua capacidade de profissão liberal. Este desenvolvimento somente foi possível graças a comunidade científica, formada por fisioterapeutas engajados no desenvolvimento científico e social da profissão.

O EAD, em sua essência, não torna fundamental a presença do docente (fisioterapeuta) em sala, ao contrário, tende a criar uma subvalorização do professor e produzir com a justificativa tecnológica, a desvalorização do docente no processo de desenvolvimento pedagógico do formando. Com isso, cria-se um futuro incerto para a autonomia da profissão, com menos professores, cientistas e pesquisadores engajados no desenvolvimento da profissão.

Além disso, conforme já divulgado por associações de classe, conselhos, federação e sociedades de especialistas, o ensino à distância forma fisioterapeutas com menos contato físico, fator caracterizado como risco à sociedade que será atendida. O risco pode desconstruir a prerrogativa do fisioterapeuta em ser o profissional de primeiro atendimento e agente único do seu exercício profissional, impondo interferências de outras profissões em nosso fazer, como foi tentada na primeira versão da Lei do Ato Médico.

A resistência contra a implementação a fórceps de um ensino EAD, nem testado nem validado, na Saúde, não é apenas pedagógica, mas a garantia de manter produção científica própria, com pesquisadores fisioterapeutas engajados em produzir material científico para o desenvolvimento da profissão e garantir a formação adequada. Somente assim preservam-se as nossas prerrogativas profissionais, conquistadas a muito custo.

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