Hidrocefalia de Pressão Normal

A hidrocefalia de pressão normal (HPN) é uma síndrome neurológica que foi primeiro identificada por Salómon Hakim, no Hospital San Juan de Dios, em Bogotá, Colômbia, em 1957. É caracterizada pela presença de ventriculomegalia sem aumento da pressão intracraniana associada com a tríade composta por: demência, incontinência urinária e apraxia da marcha.
A marcha é o sintoma mais proeminente e que apresenta resposta mais visível ao tratamento. Em indivíduos com HPN ela se apresenta lenta, com a base alargada, passos curtos arrastando os pés no chão (marcha magnética), dificuldade para iniciar o movimento e virar, porém ao andar encontra-se preservado o balançar dos braços. É comum observar um histórico de quedas, mesmo na ausência de fraqueza muscular.
O diagnóstico da HPN é feito com base nas características clínicas, exame de imagem onde podemos observar um aumento dos ventrículos, e alguns testes funcionais de punção do líquido cefalorraquidiano (LCR) circulante, sendo o Tap Test (TT) um dos mais simples e mais utilizados, auxiliando no diagnóstico e evidenciando a necessidade da colocação da derivação.
O TT consiste de uma punção lombar para a retirada de LCR circulante; o volume ideal a ser retirado deve ser de 50 ml. Nesse momento, também é realizada a manometria que consiste da mensuração da pressão liquórica inicial e final da punção, que auxiliará na definição da pressão da válvula que será colocada. O paciente é avaliado antes do TT, após 3 horas e após 72 horas. O teste é considerado positivo quando o paciente apresenta melhora clínica após a punção.
O tratamento de escolha para HPN é a implementação da derivação ventriculoperitoneal (DVP) com o objetivo de drenar o excesso LCR dos ventrículos para o peritônio. A drenagem é feita por meio de um cateter proximal dentro dos ventrículos ligado a uma válvula, de limitação de fluxo ou de diferença de pressão, conectada a um cateter distal na cavidade peritoneal.
A Fisioterapia atua em cima das possíveis seqüelas deixadas pela HPN, principalmente aquelas relacionadas às alterações de marcha. É importante reforçar que o tratamento da HPN é a derivação ventriculoperitoneal. É necessário drenar o excesso de líquor para que a causa das alterações funcionais seja resolvida. Uma vez feita a correção cirúrgica através da DVP, os sintomas comumente regridem até a quase normalidade na maioria dos casos. Em casos onde a seqüela é refratária ao tratamento clínico / cirúrgico, a Fisioterapia terá atuação importante para restaurar a funcionalidade do paciente, trabalhando questões como força muscular e equilíbrio, podendo ser necessário também a indicação do uso de órteses para adaptação funcional.
Referências úteis para quem quiser saber mais:
Mendes GAS, de Oliveira MF, Pinto FCG. The Timed Up and Go Test as a Diagnostic Criterion in Normal Pressure Hydrocephalus. World Neurosurgery, 2017; 105: 456-461.
Yamada S, Ishikawa M, Miyajima M, Nakajima M, Atsuchi M, Kimura T et al. Timed up and go test at tap test and shunt surgeryin idiopathic normal pressure hydrocephalus. Neurol Clin Pract, 2017; 7(2): 98-108.
Pinto FCG. Hidrocefalia de Pressão Normal . Segmento Farma, 2012.
Autora:
Tathiana Oliveira
Fisioterapeuta, mestre em Ciências da Saúde e fundadora do @NeuroReabilitacao

1-Um paciente sem resposta positiva ao Tap Test seria indicada a colocação de válvula?
2-Há tratamento alternativo em substituição a cirurgia?