TREINAMENTO MUSCULAR POR MEIO DO MÉTODO REEQUILÍBRIO TORACOABDMONIAL

Alongamento dos músculos respiratórios

O alongamento dos músculos respiratórios na terapêutica RTA tem como finalidade aumentar o arco de movimento do sistema respiratório, o que se traduz por incremento ventilatório, independente da patologia a ser tratada. Para tal, é necessário que o fisioterapeuta, por meio de seus conhecimentos de fisiologia, fisiopatologia e biomecânica respiratória, possa identificar o deslocamento do ponto de equilíbrio e suas manifestações no corpo do paciente.

A partir dessa avaliação, alguns critérios devem ser contemplados para que o alongamento dos músculos respiratórios possa gerar aumento de volume de ar inspirado e ou expirado e redução do esforço muscular ventilatório:

 

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  1. O alongamento dos músculos inspiratórios deve ser feito preferencialmente durante a expiração e o alongamento dos músculos expiratórios durante a inspiração;
  2. A carga imposta ao sistema respiratório através do manuseio deve ser vencida pelo paciente sem aumento de esforço ventilatório, ou seja, ao alongar os músculos respiratórios, a resposta obtida deve ser a melhora de parâmetros como frequência respiratória, saturação de oxigênio, frequência cardíaca e outros sinais de esforço;
  3. É necessário que o alongamento ocorra no tempo respiratório do paciente, somente assim pode-se aumentar os tempos inspiratório e ou expiratório;
  4. O alongamento pode ser passivo, como quando necessita-se reduzir o esforço ventilatório ou ativo-assistido e ativo quando se necessita desbloquear a caixa torácica ou reintegrar as funções respiratórias e não respiratórias;
  5. Os músculos não devem ser alongados de forma isolada, mas sim com o intuito de recuperar as coordenações respiratórias, tornando o mais sincrônico possível o movimento toracoabdmonial;
  6. Durante o manuseio, o conceito de tração é muito mais importante que o de pressão, para evitar sobrecarga ao sistema respiratório.

Alongamento dos músculos inspiratórios

O alongamento dos músculos inspiratórios, integrado à atividade respiratória, é um eficiente meio terapêutico de otimização da ventilação, e dentre outros resultados pode-se destacar os apresentados a seguir.

Aumento do comprimento dos músculos inspiratórios

A melhora da relação tensão/comprimento faz com que os músculos inspiratórios se tornem mais eficazes para deslocar a parede torácica durante a inspiração. Isso ocorre tanto aos músculos inspiratórios motores primários quanto aos inspiratórios acessórios.

Apesar de se ter como objetivo a eliminação da ação dos músculos acessórios da inspiração durante o repouso, é importante atentar para o fato de que, em algumas doenças, o aumento de carga imposto ao sistema respiratório pode ser perene e que músculos inspiratórios acessórios mais alongados tornam-se mais eficientes.

Costelas mais oblíquas e descendentes

O alongamento dos músculos inspiratórios reduz a elevação da caixa torácica e devolve as costelas a uma posição mais oblíqua e descendente. Esse posicionamento costal reduz a desvantagem mecânica do sistema respiratório e resulta em maior arco de movimento inspiratório.

Melhor tonicidade e força abdominal

Como os músculos inspiratórios são elevadores da caixa torácica, seu encurtamento provoca desequilíbrio da ação complementar com os abdominais para equilibrar a postura do tronco e o posicionamento das costelas.

O alongamento dos músculos inspiratórios favorece a atuação tônica e fásica dos músculos abdominais, tornando mais eficiente as relações respiratória e postural entre os compartimentos torácico e abdominal.

Melhor função diafragmática

O alongamento dos músculos inspiratórios, incluindo o diafragma, facilita um posicionamento mais oblíquo e descendente das costelas, o que possibilita maior arco de movimento inspiratório e coloca o diafragma em vantagem em sua relação tensão/comprimento.

A associação de costelas mais oblíquas e descendentes com a adequação da tonicidade e força dos músculos abdominais tende a aumentar a área de justaposição e melhorar a relação entre as pressões intrapleural e abdominal, resultando em maior frenação do diafragma por parte dos abdominais, contribuindo para um fluxo inspiratório mais laminar e menor tensão diafragmática para a geração de pressões inspiratórias.

Aumento do sincronismo toracoabdmonial

Ao alongar os músculos acessórios da inspiração, que deslocam a caixa torácica para cima e para fora, diminui a oposição que estes fazem ao deslocamento longitudinal inferior do diafragma. A cintura escapular e a região médio-superior do tórax tornam-se mais estáveis e o compartimento abdominal pode se deslocar com maior amplitude, proporcionando maior eficiência diafragmática e redução do gasto energético.

Maior eficiência das atividades não respiratórias

Quando os músculos acessórios da inspiração reduzem a atividade respiratória no repouso, tornam-se mais aptos para atuar nas atividades funcionais que resultam em realização individual. Assim, as atividades lúdicas, esportivas, afetivas, laborais e artísticas podem ser mais facilmente exercidas.

Texto publicado por Mariangela Pinheiro de Lima no livro ABC da Fisioterapia Respiratória, Sarmento, dezembro/2008.

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