Reequilíbrio toracoabdominal em recém-nascidos prematuros
Ao nascimento o desenvolvimento do pulmão humano não se encontra totalmente estabelecido, sendo esta imaturidade pulmonar é mais acentuada nos RNPT (recém-nascidos pré-termo). Decorrente disso, encontramos diversos fatores que prejudicam a mecânica respiratória e sua eficiência nos neonatos.
Estes apresentam costelas horizontalizadas que dificultam o aumento dos diâmetros da caixa torácica durante a inspiração e diminuem a área de aposição do diafragma. Outra característica é a pequena quantidade de fibras oxidativas no diafragma, principalmente os nascidos pré-termo (10%), o que confere a estas menor resistência à fadiga muscular respiratória.
O bom funcionamento do diafragma depende também da atuação dos músculos abdominais, um desequilíbrio de forças entre os músculos inspiratórios e expiratórios (torácicos e abdominais) promove encurtamento e fraqueza desses músculos. Assim, a ineficiência da musculatura abdominal e intercostal nos RNPT impõe ainda mais instabilidade à caixa torácica, levando a maior sobrecarga da musculatura diafragmática.
A ventilação colateral pouco desenvolvida, a imaturidade ciliar e o diâmetro reduzido das vias aéreas que leva a alta resistência ao fluxo aéreo são fatores adicionais que interferem na função respiratória dos RN (recém-nascidos) principalmente pré-termos.
Nas unidades de terapia neonatais o tratamento fisioterapêutico visa melhorar as condições pulmonares, diminuindo a resistência das vias aéreas e aumentando a complacência pulmonar, a fim de reduzir o trabalho respiratório imposto aos RN.
Algumas técnicas de fisioterapia respiratória como: drenagem postural, expansão torácica, percussão, vibração, compressão e tosse assistida usam o tórax do paciente como uma interface que transmite intervenções mecânicas do terapeuta para os pulmões. A extensão desta transmissão parece diferir substancialmente entre recém-nascidos e lactentes. A experiência clínica sugere que estas intervenções no tórax mais complacente do recém-nascido prevê uma elevada eficácia. Porém, a desvantagem desta população é que o tórax pequeno, também pode ser danificado com mais facilidade. Assim, compressões excessivas da parede torácica com aplicação de altas pressões transtorácicas devem ser evitadas, pois, além de desconforto podem causar interrupção do fluxo de ar. Portanto, o terapeuta enfrenta o desafio de utilizar intervenções que melhoram o fluxo de ar suficiente para o deslocamento de secreções, mas, ao mesmo tempo, evitar o fechamento completo das vias aéreas.
O RTA é uma técnica que tem por objetivo incentivar a ventilação pulmonar e promover a remoção de secreções pulmonares e de vias aéreas superiores, através da reorganização do sinergismo muscular respiratório, que se perde nas doenças pulmonares.
É baseado em posicionamentos, mobilizações das articulações costovertebrais e costocondrais, alongamentos musculares, apoios manuais para aumentar a pressão intra-abdominal e manobras miofasciais, conduzidos para minimizar o uso da musculatura acessória da inspiração e da expiração, reeducando o trabalho respiratório que se encontra sobrecarregado nas patologias neonatais.

