[Estudo Científico] Intervenção Fisioterapêutica na paralisia facial após Guillian Barré.

A paralisia Facial Periférica (PFP) consiste no acometimento do nervo facial em todo seu trajeto ou parte dele, de forma aguda, causando paresia ou paralisia unilateral dos músculos da face (MORY et al., 2013). A incidência é de 20-30 casos a cada 10.000 habitantes, com predileção nas mulheres (KIM et al., 2016). Pode ocorrer em todas as idades, sendo mais comum entre a segunda e quarta década e afeta igualmente a hemiface direita e esquerda (PALOMBO et al., 2012).
O nervo facial é o mais comumente paralisado, por sua estrutura não ser constante em seu trajeto. É formado pelo nervo motor, que inerva os músculos da face, e pelo intermediário de Wrisberg, que contém as fibras sensitivas e as parassimpáticas. Quando ocorre o comprometimento parcial dos axônios e da bainha de mielina, o axônio lesado poderá ter uma recuperação excelente e, na maioria das vezes, completa (WENCESLAU et al., 2016).
A fisioterapia exerce um papel fundamental na redução e/ou para eliminar a limitação funcional ou incapacidade, além de ajudar na conservação da elasticidade muscular e proporcionar o aperfeiçoamento da coordenação motora para a realização da funcionalidade nos movimentos articulares, melhorando a autoestima e capacitando o paciente para AVD’S (KISNER; COLBY, 2005)
A cinesioterapia constitui-se de exercícios da mímica facial e reeducação da musculatura com objetivo principal de reestabelecer a função muscular. Com isso a intervenção torna-se fundamental, mostrando resultados satisfatórios no aumento da força muscular e na simetria examinados durante o tratamento (PORTELLA; PEREZ; BARBATTO, 2015).
O tratamento com cinesioterapia engloba: reeducação neuromuscular, que visa facilitar a atividade muscular em padrões funcionais de movimento e expressões faciais e suprimir a atividade muscular anormal que interfere com a função facial (MATOS et al., 2011).
Dentro dos recursos estão: técnica de estimulação, técnica de suporte passivo, treino de mimica facial, que é o treino do uso e controle de um músculo ou grupo muscular isoladamente, exercícios de fortalecimento muscular; exercício de contração relaxamento; técnica de alongamento passivo; técnica de controle de sincinesias, que é feito o movimento desejado lentamente com pequena amplitude, enquanto se previne ou liberta da contração sincinética não desejada (PORTELLA; PEREZ; BARBATTO, 2015).
Durante o estudo ficou comprovado que a cinesioterapia apresenta resultados no tratamento da paralisia facial, na qual existe melhora visual na força muscular da simetria facial e consequentemente aumento da autoestima do paciente (MATOS et al., 2011).
A FNP, também conhecida como Kabat, utiliza os princípios de reflexo de estiramento e da resistência para promover a atividade e aumentar a força muscular dos músculos da face. A pressão e a resistência adequadas tem em vista facilitar o movimento. Alguns dos princípios gerais no tratamento da face são os movimentos faciais exercitados com tarefas funcionais; músculos faciais devem trabalhar contra a gravidade; o espelho pode ajudar a controlar os movimentos. O principal objetivo deste método é reintegrar de forma harmoniosa as ações geradas do sistema nervoso central, da cinesiologia e do aprendizado motor (LIMA; LIMA; FAGUNDES, 2016).
A eletroestimulação funcional é um excelente recurso utilizado na fisioterapia no tratamento da PFP. Os músculos faciais tem poucas fibras motoras, assim através do estimulo elétrico que tem a capacidade de produzir contração muscular semelhante as contrações voluntárias (SOUZA et al., 2015).
A Guillain Barré é a síndrome que vem ganhando destaque tanto por sua associação com outras doenças infecciosas, como Zika vírus, que é uma doença recente, quanto seu prognóstico de grande relação com a idade e a gravidade da degeneração axonal que excede a desmielinização, também com o tratamento tardio e rápida progressão da doença, deixando sequelas e incapacidade (RAJABALLY; UNCINI., 2012).
A fisioterapia mostra a sua importância dentro da reabilitação da síndrome e das sequelas deixadas, revertendo o caso e capacitando o indivíduo para uma independência funcional, de forma geral. O presente estudo teve como objetivo analisar a eficácia da cinesioterapia e eletroestimulação na paralisia facial periférica (RAJABALLY; UNCINI., 2012).
Trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso. Participou do estudo um paciente portador de paralisia facial. Na primeira sessão, foi esclarecido ao paciente sobre a pesquisa, foi submetido a anamnese e a classificação segundo a escala de House-Brackmann (1985), frequentemente adotada pela Academia Americana de otorrinolaringologia e a maioria dos pesquisadores da saúde (FONSECA et al. 2015). Essa escala avaliou o grau de disfunção que varia de função normal da face até a paralisia total (PALOMBO, 2012). O estudo foi realizado no laboratório de fisioterapia neurofuncional de uma Instituição de Ensino Superior de Sergipe, no período de outubro a dezembro de 2016. Como critério de inclusão foi estabelecido paciente com história compatível de PFP, preferencialmente na faixa etária entre a segunda e quarta década, visto que são as faixas etárias mais acometidas e que estivesse de acordo com o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) (PALOMBO et al., 2012). Foi excluído da pesquisa paciente que não concordasse com o TCLE, que apresentasse idade superior à quarta década e que não tenha como causa a doença de Guillain Barré. Os dados foram analisados através da classificação da paralisia facial segundo o sistema de House-Brackmann, escala validada, sendo utilizada para graduar o nível de lesão do nervo em uma paralisia facial, bem como a disfunção motora (FONSECA et al., 2015). A pesquisa seguiu os aspectos éticos relativos a pesquisas com sujeitos humanos referentes às determinações da Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde. Foi submetida à Plataforma Brasil para avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa, sendo aprovada sob o parecer de n° 1.767.959. Os objetivos foram apresentados ao sujeito incluído na pesquisa com a finalidade de obter consentimento por escrito através da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Foi realizada a seleção do indivíduo, onde o mesmo enquadrou-se nos critérios de inclusão, através da ficha de avaliação contendo a identificação do paciente, anamnese, exame físico e a classificação da paralisia facial segundo o sistema de House-Brackmann, na qual foi aplicada antes e após o tratamento. O voluntário foi submetido a um tratamento envolvendo técnicas de massagem endobucal, massagem excitatória, crioestimulação, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, eletroestimulação funcional com uso da caneta para estimulação facial e mímica facial, onde foi realizado 25 atendimentos, 2 vezes por semana, com duração de 60 minutos/cada. Para tal pesquisa, foi realizada seleção de artigos científicos através de pesquisas em bases de dados: PEDro, Scielo (Scientific Eletronic Library), PubMed, Lilacs e Science Direct, com os seguintes descritores do DeCS paralisia facial; estimulação elétrica nervosa transcutânea; fisioterapia; reabilitação, optando por artigos indexados dos últimos cinco anos, com intuito de comprovar cientificamente as técnicas fisioterapêuticas utilizadas no tratamento da PFP, evidenciando sua eficácia quando utilizada na prática clínica. A partir da análise dos artigos, foi utilizada a escala de house-brackmann como forma de avaliar o grau de disfunção motora dos músculos faciais, sendo também, um marcador de evolução terapêutica durante o período de tratamento. Sendo uma escala validada, possuindo índices de concordância com a pesquisa, e por essa razão foi escolhida para este estudo.
Constatou-se que a combinação das técnicas fisioterapêuticas mais utilizadas, entre elas a cinesioterapia, Facilitação neuromuscular proprioceptiva, e eletroestimulação funcional, crioestimulação e a massagem, obteve-se muitos benefícios, tais como: aumento da força muscular facial, simetria da face, melhora do tônus e diminuição das sincinesias. Embora os resultados tenham sido satisfatórios, sugere-se que sejam realizados outros estudos, para que se obtenha de parâmetros mais precisos melhorando assim intervenção fisioterapêutica e a qualidade de vida dos pacientes tratados.
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