Recursos Fisioterapêuticos (Crioterapia e Termoterapia) na espasticidade: revisão de literatura

 

Resultado de imagem para espasticidade

A mais freqüentes e incapacitantes observados nos indivíduos com lesão do sistema nervoso central, afetando milhões de pessoas em todo o mundo1 .

Esta é definida por um aumento, com velocidade dependente, do tônus muscular associada à exacerbação dos reflexos profundos causados pela hiperexcitabilidade do reflexo de estiramento, se enquadrando dentro da síndrome do motoneurônio superior .

A fisiopatologia da espasticidade ainda não é completamente esclarecida. Supôs-se por muito tempo que o aumento dos reflexos de estiramento na espasticidade era resultado da hiperatividade dos neurônios motores gama. No entanto, experimentos recentes lançam dúvidas sobre essa explicação. Ainda que a hiperatividade gama esteja presente em alguns casos, mudanças na atividade de base de neurônios motoras alfa e de interneurônios são provavelmente mais importantes .

A base patológica fundamental da espasticidade sustenta-se na perda ou desestruturação dos mecanismos de controle supra-espinhal, que regulam os mecanismos espinhais e seus correspondentes arcos reflexos.

Todos os elementos que intervém nestes arcos recebem uma dupla influencia supra-espinhal descendente, ativadora ou inibidora, neurônios sensitivos primários, interneurônios excitadores ou inibidores, células de Renshaw e motoneurônios.

Em conseqüência aparece um exagero dos reflexos polissinápticos ou uma redução na atividade das vias de inibição pós-sinápticas e nos mecanismos de inibição présináptico, tão importantes para manter os processos de inibição recíproca, recorrente e autógena .

É um fator que traz sérias conseqüências ao paciente, como contraturas e deformidades, que irão afetar o desenvolvimento das habilidades funcionais. Clinicamente pode manifestar-se por hipertonicidade, reflexos osteotendinosos exacerbados, espasmos musculares, sinal do canivete e por vezes clônus, predominando em alguns grupamentos musculares agonistas, especialmente nos antigravitários, resultando em alterações nas características mecânicas e funcionais dos músculos .

Pode ser causa de incapacidade por si só, afetando o sistema músculo esquelético e limitando a função motora normal. Inicialmente dificulta o posicionamento confortável do indivíduo, prejudica as tarefas de vida diária como alimentação, locomoção, transferência e os cuidados de higiene, podendo ser um quadro alterado por estímulos internos ou externos . Pode atingir tanto a musculatura antigravitária como gravitaria e mudar constantemente em reposta aos referidos estímulos.

Os estímulos que causam aumento desse quadro são alterações da postura, estímulos cutâneos, temperaturas ambientais, roupas apertadas, cálculos renais ou na bexiga, impactações fecais, bloqueio por cateter, infecções no trato urinário, úlceras de decúbito e estresse emocional .

É importante que os profissionais da saúde que visam à reabilitação do indivíduo com músculo(s) espástico(s) determinem se a espasticidade é um fator negativo na reabilitação do paciente, comprometendo suas habilidades funcionais, provocando dor ou deformidade, uma vez que esta pode existir em um nível que não interfira ou que contribua com a função, facilitando nas transferências ou na marcha .

Para avaliar a espasticidade é fundamental identificar o padrão clínico de disfunção motora, habilidade em que o paciente tem em controlar músculos e o papel da espasticidade em eventuais contraturas no nível funcional. Para essa avaliação, utilizam-se indicadores quantitativos e qualitativos, que identificam os padrões clínicos de disfunção, sendo que estes indicadores visam tanto à mensuração da espasticidade em si, o tônus muscular, quanto a sua repercussão funcional.

Existem várias escalas que podem ser utilizadas para a avaliação da espasticidade, porém no Brasil as que mais se destacam são a Escala Modificada de Ashworth e o Índice de Barthel, devido à confiabilidade e reprodutividade destas1,13. Por não existir um tratamento de cura definitiva, o tratamento fisioterapêutico em indivíduos que apresentam a musculatura espástica deve estar inserido dentro de um programa de reabilitação baseado em sua evolução funcional, com enfoque multifatorial visando à diminuição da incapacidade

. As condutas utilizadas no tratamento da espasticidade visam corrigir e prevenir alterações anormais do movimento, sendo as mais usadas: o tratamento medicamentoso, o tratamento cirúrgico, o bloqueio neuromuscular, o tratamento com toxina botulínica A e o tratamento fisioterapêutico.

A fisioterapia proporciona condições para facilitar o controle do tônus e dos movimentos, aquisições de posturas e de padrões normais, pois visa à inibição da atividade reflexa patológica e a facilitação do movimento normal.

Entre os diversos recursos fisioterapêuticos existentes, os mais utilizados para adequação do tônus são: a cinesioterapia, a eletroterapia, a termoterapia e a crioterapia.

A espasticidade é um dos fatores mais importantes de influência no prognóstico de um tratamento. E, por impedir a movimentação, pode criar padrões anormais com a movimentação em bloco, diminuição da amplitude de movimento levando a contratura muscular e/ou articular. O gelo e o calor são recursos acessíveis e prováveis inibidores desse padrão, tornando-se então sugestões de tratamento.

O termo crioterapia é utilizado para descrever a aplicação de modalidades de frio que têm uma variação de temperatura de 0°C a 18,3°C.

Resultado de imagem para crioterapia

 

É aplicada de três formas. O resfriamento conectivo envolve o movimento de ar sobre a pele e é raro seu uso terapêutico. O resfriamento evaporativo resulta quando uma substância aplicada à pele usa a energia térmica para evaporar, diminuindo assim a temperatura da superfície.

O resfriamento condutivo usa a aplicação local de frio e, à medida que o calor do objeto mais elevado (corpo) é transferido para o objeto mais frio, há um decréscimo na escala de temperatura.

Desta forma, respostas locais e sistêmicas são geradas.

Os efeitos fisiológicos do frio o tornam superior ao calor para a dor aguda de condições inflamatórias, para o período imediatamente após o trauma do tecido e para tratar o espasmo muscular e tônus anormal.

A crioterapia no tratamento da espasticidade tem o objetivo principal de reduzir a tensão visco-elástica mioarticular e facilitar a função neuromuscular.

O efeito fisiológico do frio é a redução da atividade do fuso muscular, junção neuromuscular e nervos periféricos. O gelo reduz a atividade do fuso muscular porque eleva seu limiar de disparo, fazendo com que a estimulação aferente diminua.

Quando o gelo é aplicado, ocorre estimulação dos receptores térmicos que utilizam a via espino-talâmico lateral, uma das quais transmite os estímulos dolorosos. O resfriamento faz com que ocorra um aumento da duração do potencial de ação dos nervos sensoriais e, conseqüentemente, um aumento no período refratário, acarretando uma diminuição na quantidade de fibras que irão despolarizar no mesmo período de tempo.

Com isso ocorre uma redução na freqüência de transmissão do impulso e um aumento no limiar de excitação das células nervosas em função do tempo de aplicação, ou seja, quanto maior o tempo, menor a transmissão dos impulsos relacionados à temperatura.

 

Artigo completo :http://revistaneurociencias.com.br/edicoes/2009/RN%202009%201/227%20.pdf

BannerÉFisioterapeuta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *