Novas perspectivas no tratamento de pacientes com dor lombar.

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A dor lombar é uma das maiores causas de incapacidade funcional do mundo. Segundo dados da última revisão sistemática sobre a prevalência de dor lombar, estima-se que cerca de 39% da população mundial terá pelo menos um eposódio de dor lombar ao longo da vida, além de estar associada a altos custos e afastamento do trabalho. Segundo a última pesquisa do Instituto Nacional de Amostra a domicío, a dor lombar é segunda principal queixa entre os brasileiros.

Sendo assim, torna-se necessário que cada vez mais nos fisioteraraputas adotemos condutas, baseadas em evidências, que são fundamentais para aumentar a probabilidade de sucesso terapêutico de nossas intervenções. Atualmente já existem muitas revisões sistemáiticas e estudos clínicos (que são considerados os maiores níveis de evidências para decisões clínicas) que nos trazem informações preciosas de como melhor tratar nossos pacientes.

O primeiro ponto que gostaria de alertar é que o profissional fisioteraprauta é livre para receber qualquer paciente com dor lombar sem a necessidade prévia de prescrição médica ou exames de imagens. Uma avaliação fisioterapeutica minunciosa torna-se necessário para descartar possibilidades de doenças graves de coluna (Red Flags) (ex, tumor, câncer, fraturas, etc..), porém observadas em apenas 1% dos casos de dor lombar (Se for detectado qualquer a presença de doenças gravas de coluna é altamente recomendável o trabalho multiprofissional). Ou seja, segundo estudos prévios, cerca de 95% dos casos (para fechar essa conta devemos citar as radiculopatias) de dor lombar são consideradas inespecífica (sem uma causa propriamente estabelecida), e isso é ótimo, pois favorece um bom prognóstico. Outro fator importante é que já existem estudos que não correlacionam, em muitos casos (a não ser que seja encontrada uma doenças graves de coluna) os achados radiológicos com os sintomas do paciente. Ou seja, indivíduos assintomáticos também possuem alterações radiológicas e convivem muito bem (sem dor), obrigado. Muitas das vezes exames de imagens (devido ao efeito potencializador ou nocebo) são erroneamente abordados por profissionais de saúde em geral e infelizmente acabam “criando doentes”, exacerbando a catastrofização dos sintomas do paciente. Vale uma reflexão…

Agora vamos conversar sobre o tratamento. Penso que um bom tratamento já se inicia com uma boa avaliação para que o fisioterapeuta possa decidir pela conduta terapêutica, frenquência e tempo do tratamento. Segundo o último guideline para pacientes com dor lombar, são recomendados por exemplo, exercícios ATIVOS, educação, terapia manual e a terapia cognitivo comportamental. Todas essas recomendações dependem da individualidade do paciente e o fisioterapeuta deve ter a sensibilidade da melhor indicação terapêutica para que o paciente se beneficie mais com a técnica A ou B. Porém a parte educacional torna-se imprescidível, pois trazer esclarecimentos sobre a dor do paciente é fundamental para a melhora clínica. Ele deve entender que a dor lombar é uma condição de saúde, não uma doença maligna. Sendo assim, temos que quebrar mitos e reafirmar verdades sobre a dor.

Outro ponto fundamental é que já esta mais que comprovado é que cinesiofobia (medo de movimento) e não realizar atividades físicas para “evitar” a dor nas costas é um fator de risco primário para tornarmos um paciente crônico e reforçar crenças inadequadas no paciente. Quero dizer que limitar a atividade pode piorar drasticamente o prognóstico de paciente com dor lombar que segundo a último estudo de prognóstico cerca de 60 a 70% dos pacientes melhoram a dor espontaneamente devido a regressão pra média e/ou historia natural da doença. Então será que esse número absurdo de pacientes crônicos não pode não ser culpa de nos profissionais de saúde? Para refletir parte 2…

Neste caso, a atitude mais acertada seria, dependo do caso, reduzir os níveis de atividade por 1 ou 2 dias em média e estimular esse paciente deve retornar as suas atividades normais o mais rápido possível. Se na avaliação não for necessário reduzir atividade, a orientação seria o retorno imediato as atividades de vida diária. Quanto mais rápido for esse retorno… MELHOR!

Referências

  • Delitto A, George SZ, Van Dillen LR, Whitman JM, Sowa G, Shekelle P, et al. Low back pain. J Orthop Sports Phys Ther. 2012
  • Magalhaes MO, Muzi LH, Comachio J, Burke TN, Renovato Franca FJ, Vidal Ramos LA, et al. The short-term effects of graded activity versus physiotherapy in patients with chronic low back pain: A randomized controlled trial. Man Ther. 2015.