Aos 35 anos, fisioterapeuta militar tenta ir ás Olimpíadas

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Entre os 286 atletas que vão compor a delegação brasileira dos Jogos Mundiais Militares (JMM), Nicholas Santos está entre os de maior destaque. Medalhista de prata nos 50m borboleta do último Mundial de Kazan, o brasileiro é uma das esperanças do país no evento. O paulista, de Ribeirão Preto, vai nadar a prova que é especialista e detém a segunda melhor marca do mundo, com 22s90, somente atrás do campeão olímpico, o francês Florent Manaudou (22s84), que também está na disputa. Nicholas ainda participará dos 100m borboleta e brigará por um lugar no revezamento 4×100 livre. A natação nos JMM começa no dia 07 de outubro (quarta-feira).

Subir no lugar mais alto do pódio será especial ao velocista, afinal de contas, trata-se de uma conquista inédita – em 2011, na edição do Rio de Janeiro, Nicholas não competiu – e isso acontecerá na sua primeira e última participação no evento. Em 2016, o atleta completa sete anos de Exército, data limite do projeto da Força Armada. A conquista lhe dará confiança à primeira seletiva olímpica, a ser disputada no mês de dezembro, na cidade catarinense de Palhoça, cujo objetivo é obter o índice para as Olimpíadas de 2016.

– Esse Mundial Militar vai servir de treinamento para a seletiva de dezembro, embora o planejamento seja nadar bem. É uma competição superforte, com grandes atletas. A gente acaba encontrando nadadores que estão em Mundiais. Dá para comparar com campeonatos internacionais, como o Mundial. Sem dúvida nenhuma, essa competição é muito importante para um ciclo olímpico. A equipe que está indo para o Mundial Militar tem nadadores que estão brigando por vaga (olímpica) e vai representar bem o Exército brasileiro. O cronograma do Exército te permite ficar sete anos, e 2016 vai ser meu sétimo. É um projeto que vai passar por uma renovação. Vou tentar fechar com chave de ouro, tentar representar o Exército da melhor maneira possível, servir de inspiração para outros nadadores. É um projeto muito bacana e dá oportunidades para você ir nas competições fora do país – disse Nicholas.

O desgaste da temporada vai ser um obstáculo. Só em 2015, muitos nadadores do primeiro escalão brasileiro participaram dos Jogos Pan-Americanos, Mundial de Esportes Aquáticos e outras competições nacionais e internacionais. Foi o caso de Nicholas, que levou a prata na Rússia, mas terminou fora da final A (10º lugar) nos 50m livre, no Canadá.

– Eu nadei o Pan-Americano sem ter descansado para lá, pois o objetivo principal era Kazan. O que senti muito foi a viagem. A gente teve que voltar (de Toronto) para o Brasil e viajar do Brasil para Kazan em um espaço de tempo muito curto. Foi bem cansativo. Foram 32 horas de viagem, contando conexão, bem desgastante. Em seguida, tive o Campeonato Brasileiro pelo Unisanta, depois duas semanas de férias, mais para descansar a cabeça, depois o Raia Rápida e agora os Jogos Militares – declarou Nicholas, que pretende nadar os 100m borboleta e o revezamento 4×100 livre nos Jogos do Rio (sua prova principal não faz parte do programa olímpico).

Com 35 anos, o nadador não sabe o que vai ser de seu futuro. Vivendo um momento de alta na carreira, ele aproveita este ciclo olímpico para focar na inédita medalha. Depois disso, o tempo e os patrocinadores vão mostrar o caminho a seguir. Sem saber o tamanho do investimento a ser depositado nele para mais quatro anos, Nicholas tem opções para um pós-carreira. Formado em Fisioterapia pela Universidade de Ribeirão Preto, pós-graduado em Terapia Manual e com MBA em Gestão Empresarial, ele tem o desejo de montar e gerir um CT de natação e dar clínicas. Porém, se depender só de sua vontade, o caminho é seguir nas piscinas, dando braçadas por mais algum tempo.

– Estou com o segundo melhor tempo do mundo, enquanto eu tiver competitivo, vou continuar. Tenho 35 anos e não sinto o peso da idade.

A sexta edição dos Jogos Mundiais Militares acontece dos dias 2 a 11 de outubro na Coreia do Sul. Oito municípios e cidades (Mungyeong, Pohang, Gimcheon, Andong, Yeongju, Yeongcheon, Sangju e Yecheon) receberão 24 modalidades. São esperados mais de 7 mil atletas de 120 países. Atual campeão do quadro de medalhas dos JMM de 2011, no Rio de Janeiro, o Brasil leva sua maior delegação da história. São 283 competidores contra 268 de quatro anos atrás. A meta do país é terminar entre os cinco melhores. China e Rússia são considerados os favoritos.

 

Fonte: http://globoesporte.globo.com/Jogos-Mundiais-Militares/noticia/2015/10/nicholas-santos-projeta-1-e-ultimo-jmm-como-teste-para-seletiva-olimpica.html

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