Síndrome do Cordão Axilar

Como-tirar-manchas-da-axila

Vamos aproveitar o finalzinho do Outubro Rosa, para falar sobre a neoplasia mais frequente em mulheres no Brasil, o Câncer de Mama. Em 2014 segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer era esperado mais de 57 mil novos casos da doença. A cirurgia continua sendo a principal ferramenta para o tratamento do câncer de mama, podendo estar associado a quimioterapia, a radioterapia e a hormonioterapia.

Diversas complicações podem acometer pacientes que realizaram cirurgia para o tratamento da neoplsaia mamária, entre elas limitação para o movimento do ombro, parestesia (dormência), linfedema (inchaço), dor, deiscência dos pontos (abertura dos pontos), alterações na cicatriz e a Síndrome do Cordão Axilar/ Axillary Web Syndrome (SCA), essa última pouco discutida e pelos profissionais que não atuam na área da saúde da mulher e/ou oncológica até mesmo desconhecida.

Os linfonodos axilares são responsáveis pela drenagem da mama, sua abordagem cirúrgica se faz necessária para controle da doença, visto que a principal via de disseminação tumoral é a linfática, portanto os cirurgiões sempre investigam a presença ou não de linfonodos comprometidos, chamada de Biópsia do Linfonodo Sentinela. Havendo presença de doença no linfonodo retirado, outros linfonodos e se preciso todos são removidos, chamado de Esvaziamento Axilar. Em ambos procedimentos podem ocorrer a SCA, sendo sua incidência de 20% quando realizado Biópsia do Linfonodo Sentinela e 72% quando realizado Esvaziamento Axilar.

A SCA não tem sua causa bem esclarecida na literatura, mas provavelmente a manipulação cirúrgica dos linfonodos axilares, posicionamento durante a linfadenectomia e a retração cicatricial, ocasionam seu surgimento cerca de duas a três semanas do pós operatório, devido a interrupção do fluxo linfático, estase linfática, formação de tecido fibrótico ao longo dos capilares e veias linfáticas e trombose venosa com recanalização.

O resultado dessa injúria linfática é caracterizado pela presença de cordões fibrosos, restrição da amplitude de movimento do ombro – principalmente abdução e flexão – acompanhado de dor, podendo ter resolução espontânea.

Ao exame fisico quando realizada abdução e rotação externa do ombro, surge um cordão palpável e doloroso na região axilar, que pode se estender até a região do punho, limitando a amplitude de movimento e acarretando alteração na qualidade de vida, então mesmo que em alguns casos melhore espontaneamente, uma abordagem fisioterapêutica é efetiva para uma resolução mais precoce desse quadro.

A realização de cinesioterapia com exercícios ativos, técnicas de alongamento muscular, manobras miofasciais e de manipulação do cordão, drenagem linfática e orientações são recursos fisioterapêuticos que trazem resultados positivos e as vezes até mesmo imediato no tratamento da SCA.

Dra. Ana Paula Oliveira Santos – Fisioterapeuta da Autarquia Municipal de São Paulo, Coordenadora do Comitê de Fisioterapia da ABRALE, Mestranda e especialista em Oncologia pelo AC Camargo/Cancer Center.

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