O papel da fisioterapia no processo da amamentação

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Desde que sou pequena ouço as mães que me rodeiam dizendo frases como:

– “Meu leite secou, só pude amamentar 2 meses”

– “Ah não, doía demais, passei logo para a mamadeira”

– “Pra que se temos o leite pronto?”

– “Não teve jeito, o bebe não pegava direito e não conseguia mamar”

– “Me falaram que meu leite não era o suficiente”

Tenho notado que a amamentação tem sido muito comentada, principalmente nas redes sociais e isso me deixa bem feliz, porém quase ninguém sabe que nós, fisioterapeutas, tivemos treinamento para ajudar as mamães – e papais – a passarem por essa fase inicial da amamentação de maneira mais tranquila.

Nosso trabalho começa (ou deveria) durante a gestação, onde avaliamos os seios da futura mamãe e levamos em consideração seu tamanho, sensibilidade e formato dos mamilos:

 

– Protuso: é aquele saltado para fora, com bico proeminente e que fica rígido com facilidade aos estímulos, sendo o mamilo “normal”, proporcionando uma amamentação sem grandes problemas.

– Plano: é aquele mamilo que não é “nem para fora” e “nem para dentro”, pode demorar um pouco para ficar rígido e aí as chances de dificuldade para amamentar começam a aparecer.

– Pseudoinvertido: é um bico do peito para dentro, porém quando estimulado pode “saltar”, promovendo uma amamentação mais fácil.

– Invertido: esse mamilo é voltado para dentro e mesmo com estimulo é bem complicado faze-lo ficar rígido, trazendo muitas dificuldades para amamentar.

MAS, não quer dizer que uma mulher com mamilo plano ou invertido não possa amamentar, isso é MITO. Existem massagens que ajudam, como a massagem em cruz, estímulos específicos no próprio bico do peito com diferentes texturas e tomar sol (adequadamente) – esses dois últimos são importantes para deixar a região “menos” sensível, preparando para uma sucção que não é muito sutil (rs).

Avaliamos também a postura dessa gestante, afinal, dependendo dos tamanhos dos seios a mulher pode adotar uma postura cifótica, além de todas as alterações fisiológicas que ela passa durante todo o período gestacional. Esse é o momento de adequar a postura para evitar dores, fortalecer membros superiores, ensinar posturas para amamentação e adaptações em sua casa, para evitar desconfortos e dores durantes às horas de amamentação.

Ainda precisamos orientar bem essa paciente com relação:

  • Ao tempo de amamentar
  • Ao tempo que o bebê pode ficar sem mamar
  • A possíveis caretas que o neném pode fazer que indiquem fome
  • Ao tempo de aleitamento materno exclusivo
  • A alimentação, apenas dicas básicas
  • Técnicas para acordar a criança para mamar quando necessário, para evitar e melhorar possíveis fissuras
  • Ao uso de pomadas e bicos artificiais,
  • Aos primeiros dias da saída do leite e a importância do revezamento entre os seios;

Tudo para deixar as futuras mamães (principalmente as de primeira viagem) mais relaxadas e seguras.

Sem contar que ensinar os benefícios de amamentar para as mães é um grande passo, já que muitas pessoas não acham que esse ato pode realmente gerar ganhos significativos, tanto para bebê quanto para mãe, como emagrecimento e retorno do útero ao seu tamanho normal, vínculo materno, desenvolvimento da arcada dentária, formação do sistema imunológico da criança, tirando o fato de ser gratuito e estar sempre pronto para ser ingerido em qualquer lugar e hora.

Por fim, quando chega o momento de amamentar, nosso papel envolve tirar novamente todas as possíveis e novas dúvidas que os papais possam ter, continuar realizando, se necessário, as técnicas para gerar protrusão do mamilo, ensinar e realizar massagem para evitar que o leite empedre, colocar em prática as posturas e adaptações que sejam necessárias para evitar dores musculares e ensinar a “pega” correta da boca do bebê com o bico do peito para preservar esse mamilo, diminuindo o risco de fissuras e dores.

Outro fatorsuper importante no processo da amamentação é envolver o pai, incentivando-o a fazer carinhodurante o aleitamento, ajudar a mãe a se posicionar corretamente, colocar o bebê para arrotar e se conectar cada vez mais com o seu filho e a mãe.

A fisioterapia pode parecer algo irrelevante nesse período, mas garanto que nossas orientações e apoio podem fazer a diferença durante esse processo, trazendo maior conforto para a nova família que se inicia.

 

4 Comments
    • Dra. Lara Castro

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