O câncer de mama e a Fisioterapia

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De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo, sendo que no Brasil as taxas de mortalidade são elevadas, devido ao diagnóstico tardio, apesar de toda tecnologia disponível atualmente.

É relativamente raro antes dos 35 anos, porém quando ocorre nessa idade, é extremamente agressivo, principalmente quando associado a uma gestação e sim, isso pode acontecer.  Acima dessa faixa etária o câncer é mais comum, progressivo, mas também pode ser tão ofensivo quanto.

Infelizmente não se consegue ter controle total contra esta doença, ela pode se manifestar em qualquer mulher de qualquer idade, as pegando de surpresa. Porém existem alguns fatores de risco que podem alertar sobre seu possível aparecimento, como lesões na mama, obesidade, colesterol alto, reposição hormonal, menopausa tardia, menstruação precoce e principalmente o histórico familiar.

Os tipos de tratamento são escolhidos caso a caso, contemplando as cirurgias, quimioterapia, radioterapia e tratamento hormonal, sendo que, na maioria das vezes, as técnicas são combinadas entre si, aumentando o tempo de tratamento e seus efeitos colaterais.

E é principalmente nesse período que a fisioterapia tem um papel extremamente importante: claro que o tratamento fisioterapêutico deve ter início logo após a descoberta do tumor, caminhando lado a lado com o tratamento médico para intensificar os resultados, diminuir dores, desconfortos e possíveis danos posteriores e para preparar a paciente para uma provável cirurgia, mas infelizmente não é o que observamos no nosso sistema de saúde – Brasil não entende muito bem o que significa prevenção.

Estão aqui alguns dos efeitos encontrados durante e após os tratamentos:

– Dores em região de mamas, coluna e membro superiores;

– Diminuição de amplitude de movimento;

– Sensação de repuxamento em região axilar, mamária ou até mesmo em toda extensão das cicatrizes;

– Cordão axilar: como se fosse um barbante na região axilar, podendo chegar até o antebraço causando dores e dificuldade de movimentação;

– Calor e queimaduras devido radioterapia;

– Dores nas articulações devido quimioterapia;

– Enjoos, tontura, constipação ou diarreia;

– Fraqueza muscular, principalmente do membro superior também acometido após uma cirurgia;

– Fadiga intensa;

– Fibrose cicatricial;

– Alterações posturais;

– Linfedema (inchaço no braço afetado).

É claro que cada pessoa lida com uma situação dessas de um jeito, assim como apresenta sintomas diferentes, podendo ser ou não exacerbados por outras condições prévias ao tumor.

Sendo assim, a fisioterapia atua de maneira global, promovendo analgesia através de massagens, liberações de tecido conjuntivo e miofasciais, uso de crioterapia, TENS (neuroestimulação elétrica transcutânea) e mobilizações. Ganho de amplitude de movimento através de alongamentos passivos e ativos, ganho de mobilidade e força muscular, correção postural, liberação cicatricial, drenagem linfática e enfaixamento para redução do linfedema; alívio da constipação através de massagens e mobilizações pélvicas, relaxamento corporal e principalmente através de ORIENTAÇÕES à paciente.

Orientações estas que implicam nas adaptações para o dia-a-dia, exercícios e alongamentos para serem realizados em casa, uso correto da luva de compressão e fazer o auto enfaixamento, importância do uso de protetor solar e cremes (sem álcool), de não tirar as cutículas, medir pressão arterial ou tomar injeções no braço, pois até uma picada de mosquito pode ser porta de entrada para um futuro linfedema.

Falar sobre o câncer de mama e toda sua repercussão nas mulheres é um assunto extenso, que definitivamente merece atenção, todavia infelizmente em um único post não é possível esclarecer todas as dúvidas ou explicar como nós, fisioterapeutas, podemos e queremos ajudar essas mulheres guerreiras a passar por essa fase com mais qualidade de vida. Então, se você é paciente ou conhece alguém passando por essa experiência, procure um fisioterapeuta e continue seguindo o blog para mais posts sobre o assunto 😉

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