Fisiologia da DISPNEIA

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Olá pessoal, tudo bem ?

Hoje vamos falar de um assunto muito comum no dia a dia do Fisioterapeuta que trabalha nos Centros Hospitalares e na vivência nos nossos estágios da faculdade : a famosa DISPNEIA.

Sabemos que a Dispneia é ocasionada por múltiplos fatores. Você conhece como ela funciona?

Leia mais nesse artigo publicado na USP e esclareça suas dúvidas e acompanhe nossas matérias aqui e no canal da Resportes.com.br. Boa leitura!

Abraços, Tamires Jeremias (Coordenadora Resportes)

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MECANISMOS FISIOPATOLÓGICOS DA DISPNEIA

Para a maioria das pessoas, na maior parte do tempo, respirar é um fenômeno inconsciente. Algumas vezes, entretanto, o referido ato torna-se uma ação consciente, associada a desconforto. Os mecanismos que envolvem o último fenômeno ainda não são completamente conhecidos, muito embora acumulem-se evidências de que estejam envolvidos processos neurológicos variados. Contudo, ao contrário do que acontece, por exemplo, com a dor, cujos estímulos originam-se em terminações nervosas livres, até o momento, não foram descritos receptores especializados de dispnéia. Atualmente, alguns autores fazem uma distin- ção entre sensação e percepção respiratórias(2). Enquanto a primeira diz respeito à ativação neurológica, resultante da estimulação de algum receptor periférico, a segunda envolve o resultado final do processamento desse estímulo pelo sistema nervoso central e as reações do indivíduo frente à referida sensação. Fatores culturais, psicológicos e ambientais podem influenciar o tipo de reação (percepção) de diferentes indivíduos frente a sensações semelhantes. Assim, por exemplo, um indivíduo estóico pode negar sua dificuldade respiratória e mostrar menos limitações do que uma pessoa mais sensível a mensagens corporais(1,2,5).

A compreensão dos mecanismos relacionados com a gênese da dispnéia envolve o conhecimento detalhado dos sistemas de controle da ventilação e das alterações da mecânica respiratória e das trocas gasosas observadas, tanto em condições fisiológicas como em patológicas(1,2,5). Uma ilustração dos elementos constituintes de tais sistemas encontra-se na Figura 1. A atividade motora respiratória emana de grupos de neurônios, localizados no bulbo. As descargas respiratórias eferentes ativam os músculos respirató- rios, que expandem a caixa torácica, inflam os pulmões e levam à ventilação.

Quimiorreceptores, localizados nos vasos e cérebro, bem como mecanorreceptores, localizados nas vias aéreas, pulmões, caixa torácica e músculos respiratórios, estão envolvidos na regulação automática da respiração e também parecem desempenhar um papel em promover as sensa- ções de dispnéia. Mudanças na PCO2 e PO2 são detectadas pelos quimiorreceptores centrais, localizados no bulbo, e pelos quimiorreceptores periféricos, localizados na carótida e aorta. Sinais originados nesses quimiorreceptores são transmitidos de volta para o tronco cerebral, para o ajuste da respiração e manuten- ção da homeostase acidobásica. Impulsos aferentes a partir de receptores vagais também interferem no padrão respiratório: receptores pulmonares de estiramento são estimulados à medida que o pulmão se expande; receptores de irritação, localizados no nível do epitélio brônquico, são ativados pela estimulação mecânica da mucosa brônquica, altas taxas de fluxo aéreo e eleva- ções do tônus da musculatura brônquica; as chamadas fibras C, localizadas no interstício pulmonar, em proximidade aos alvéolos, respondem a elevações das pressões intersticiais e capilares.

Os músculos respiratórios também possuem receptores sensoriais: fusos musculares são abundantes nos músculos intercostais e estão envolvidos em reflexos no nível espinal e supra-espinal. O diafragma contém receptores tendinosos, que exercem atividade inibitória sobre a atividade respiratória central. Todos esses sinais aferentes, gerados por mecanorreceptores pulmonares e torácicos fornecem importantes informações relacionadas à situação mecânica da bomba ventilatória, bem como das mudanças no comprimento e força de contração dos músculos respiratórios. Tais informações permitem ajustes da atividade dos neurônios motores, respiratórios, visando à adaptação frente à mudanças da função dos músculos respiratórios ou da impedância do sistema ventilatório. A sensação de dispnéia parece surgir pela ativação de sistemas sensoriais, envolvidos com a respiração(2,5). A informação sensorial, por sua vez, seria enviada para centros cerebrais superiores, onde o processamento dos sinais modularia a expressão da sensação evocada, sob a influência de fatores cognitivos e comportamentais.

Uma teoria geral para o surgimento de dispnéia, comumente aceita, é a chamada teoria da dissociação eferente-reaferente. Ela postula que a dispnéia resultaria de uma dissociação ou desequilíbrio entre a atividade de neurônios motores, respiratórios, localizados no sistema nervoso central e a correspondente informação sensorial aferente, captada pelos receptores especializados, localizados nas vias aéreas, pulmões e caixa torácica. O contínuo feedback aferente, a partir desses receptores sensoriais, permitiria ao cérebro avaliar a efetividade da resposta aos comandos neurológicos, motores, enviados para os músculos respiratórios, sob a forma do surgimento de fluxos, volumes e pressões, proporcionais ao estímulo inicial.

Quando as respostas aferentes não fossem proporcionais aos estímulos motores iniciais, a respiração tornar-se-ia consciente e desconfortável.tanto, descargas corolárias surgiriam a partir dos neurônios motores respiratórios e seriam enviadas para áreas sensoriais superiores, ainda não identificadas. Vale salientar que, recentemente, demonstrou-se a ativação do córtex insular em resposta à dispnéia provocada por elevações discretas da PaCO2 e baixos volumes correntes(6). Tal área do cérebro faz parte do sistema límbico e costuma ser ativada por estí- mulos desconfortáveis, como dores e náuseas. Nos últimos anos, têm-se acumulado sugestões, na literatura inglesa, de que o termo dispnéia é usado englobando sensações respiratórias qualitativamente distintas, que podem se apresentar isoladamente ou, mais freqüentemente, associadas(2,5,7,8,9). Essas sensações diversas, muito provavelmente, originam-se a partir de diferentes mecanismos fisiopatológicos, existindo investigações no sentido de se estabelecer tais associações. Quando a dispnéia foi induzida, em indivíduos normais, por meio de estímulos diversos, os voluntários selecionaram diferentes grupos de frases para caracterizar as sensações surgidas com cada tarefa. Em pacientes com dispnéia causada por diferentes doenças cardíacas e respiratórias, doenças distintas associaram-se a combinações únicas de frases empregadas para descrever as características do desconforto respiratório. A partir desses estudos, algumas correlações entre o caráter das sensações respiratórias e determinadas condições fisiopatológicas e clínicas começaram a ser traçadas. Como exemplo, frases relacionadas à sensação de aumento do esforço ou do trabalho da respiração são encontradas normalmente, em condições caracterizadas por sobrecargas da mecânica respiratória, como DPOC e doença intersticial pulmonar, bem como na presença de fraqueza neuromuscular.

Exemplos de tais frases seriam: “Minha respiração é pesada” e “Parece que o ar não entra”. Indivíduos com asma costumam queixar-se de “sufocação” e “aperto no peito”, enquanto pacientes com insuficiência cardíaca congestiva relatam sensa- ção de “sufocação” ou de “urgência para respirar”. Ainda permanece a ser investigado se a caracteriza- ção da dispnéia, como sensações diversas, também é válida para indivíduos que não falem a língua inglesa.

 

Artigo completo via: :http://revista.fmrp.usp.br/2004/vol37n3e4/2_dispneia.pdf

 

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