Escolha do coração: Fisioterapia em Saúde da Mulher

SAUDE-DA-MULHERPois é, estou a semanas enrolando para escrever essa matéria, sabem por quê? Meu pai faleceu há um mês e ele era meu herói, acredite se quiser, era meu maior leitor, editor e corretor ortográfico (haha), ele tinha um jeito diferente de ver o mundo, era extremamente humanizado, muito inteligente e irônico; mesmo com seus 81 anos e todos os problemas de saúde, ainda conseguia me ensinar tanta coisa! Talvez por tudo isso que me senti a vontade para escrever o que aconteceu com ele, afinal ele me ensinou que é preciso muito mais do que conhecimento técnico, dinheiro ou qualquer titulo para cuidar do próximo.

Escolhi a fisioterapia por ele, mas por algum motivo não me especializei para atender pacientes como meu pai (neurológicos/respiratórios), escolhi a Saúde da Mulher e, embora ele nunca tenha entendido muito bem isso, sempre me apoiava e se interessava por qualquer explicação “maluca” que eu desse sobre coisas que ele nunca tinha ouvido falar ou nem imaginava que existiam – e eu sempre ria e me achava o máximo por, pela primeira vez, ensinar algo para o meu velho.

Seguindo a linha de raciocínio, o que tudo isso tem haver com mulher, saúde ou fisioterapia?

É extremamente comum mulheres gestantes, puérperas, com câncer (seja de mama ou ginecológico), alguma disfunção sexual ou urinária terem depressão e não, eu não sou psicóloga, não sei 10% do que eles sabem e entendo a importância de trabalhar com eles diretamente. E posso dizer que nesse meu último mês de “depressão” o que me salvou foi, com certeza, à fisioterapia e tudo o que eu sei que posso fazer pelos meus pacientes.

A questão é que a atividade física, boas orientações e gestos de carinho e comprometimento com o paciente são exemplos de ações que todo fisioterapeuta deve representar –ou deveriam – e acima de tudo, querer representar.

Durante a gestação ou pós-parto é extremamente importante motivar a mulher a realizar atividades físicas e a fisioterapia tem um nicho enorme de orientações e técnicas específicas para esse momento, prometendo trazer alívio às dores, estresse e depressão, garantindo melhor qualidade de vida, além de reabilitar quando preciso.

No câncer, que é um assunto extremamente delicado e infelizmente nos remetem o fim da vida, é crucial um profissional que pode te trazer benefícios físicos e consequentemente mentais através de exercícios e orientações cabíveis a esse período, reabilitando a função do membro acometido e aliviando as dores e desconfortos, assim como aproximar essa mulher do ambiente social.

Em relação às mulheres que sofrem de disfunção sexual, além do aspecto psicológico, onde elas demonstram falta de confiança nelas mesmas e em outras pessoas, medo da relação sexual ou até de seus parceiros, baixa autoestima, carência e muitas vezes apresentam relatos de abusos sexuais em algum ponto da vida, elas também sentem inúmeras dores, tensão muscular e alterações posturais (ficam mais encolhidas). Um fisioterapeuta tem o poder de aliviar suas tensões e dores, melhorar sua postura e conscientizar essa mulher do seu corpo e de tudo que ele, junto com sua mente, pode ser capaz, para então reabilitar, não só assolho pélvico, mas o corpo todo dessa paciente.

E a incontinência urinária (IU)?! Existem vários tipos de IU, e as mais encontradas são a de esforço – já imaginou fazer xixi rindo, tossindo ou subindo uma escada? – urge incontinência, representada por aquela urgência em urinar e não conseguir chegar a tempo no banheiro e a mista, onde temos a junção das duas. Difícil, né?Agora imagine passar por essas situações varias vezes ao dia durante meses ou anos e pior ainda, achando que é “normal” ou que não se tem nada a fazer (acreditam que a maioria das mulheres, principalmente as mais velhas, pensa assim?). Essas pacientes se sentem sujas, tristes, sem vontade de sair de casa, podem ter infecção urinária de repetição e ainda dificuldades para realizar o ato sexual. Nesse momento a fisioterapia pélvica tem o papel de reabilitar esse períneo, corrigir postura e conscientizar a mulher através de exercícios pélvicos e globais, alongamentos, fortalecimento muscular e MUITA orientação.

E sabe o mais maluco?! Que muitas mulheres apresentam dois ou até mais disfunções/patologias ao mesmo tempo e necessitam de uma atenção especial da nossa parte, principalmente pelo nosso tratamento ser conservador, muitas vezes as livrando de procedimentos cirúrgicos e desnecessários.

É comprovado que atividade física libera hormônios, aliviam dores, tensões e reabilita, contanto que seja através de técnicas especializadas e exclusivas que depende de treinamento e muito estudo.

Sei que esse texto parece – e é – amplo, abordando a fisioterapia nessa área de maneira geral, porém acho que nunca é tarde demais para nos lembrarmos do motivo de escolhermos o que escolhemos para seguir e de como isso pode ser gratificante para nós, profissionais.

Agora cabe a nós levar todas essas informações adiante e provar o quanto a fisioterapia em Saúde da Mulher pode ajudar, trazendoinúmeros benefícios físicos e mentais, a partir de seus procedimentos, experiência e prática clínica e – nunca se esqueçam – muito amor.

Para colegas de trabalho e futuros fisioterapeutas, minha dica para vocês é: se coloquem no lugar de seus pacientes, estudem, tenham extrema paciência, dedicação e carinho. Não é receita de bolo, é de coração.

 

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