Entendendo o climatério e o papel da fisioterapia na pós-menopausa

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Diferente do que muita gente pensa, a menopausa não é um período. Temos o costume de ouvir as mulheres dizendo que estão na menopausa, mas na realidade esse termo é usado para determinar um marco biológico, momento da sua última menstruação, transitando da fase reprodutiva para a fase não reprodutiva.

Normalmente, esse marco acontece por volta do 51 anos e parece ser determinado geneticamente, não sendo afetado por etnia, idade da menarca (primeira menstruação), condição socioeconômica ou número de ovulações prévias. E então, para definir todo o processo entre pré-menopausa e pós, usamos o termo climatério.

Segundo a Sociedade Internacional de Menopausa, o climatério é dividido em três etapas:

  • Pré-menopausa: no geral se inicia após os 40 anos em mulheres com ciclos menstruais regulares, já ocorrendo uma diminuição da fertilidade.
  • Perimenopausa ou transição menopausal: começa dois anos antes da última menstruação e estende-se até um ano após, deixando os ciclos menstruais irregulares e acarretando em alterações hormonais.
  • Pós-menopausa: tem seu inicio um ano após a última menstruação e é subdividida em precoce (até cinco anos da ultima menstruação) e tardia (mais de cinco anos).

Nesse período ocorrem mudanças endócrinas decorrentes do declínio da atividade ovariana, mudanças biológicas em função da diminuição da fertilidade, mudanças clínicas e uma série de sintomas, causados principalmente pela deficiência de estrogênio. Dificuldades cognitivas, instabilidade emocional e humor depressivo têm sido relacionados com o climatério, mas ainda existem controversas uma vez que o envelhecimento está acontecendo.

Cerca de 60 a 80% das mulheres apresentam sintomas que podem influenciar diretamente em sua qualidade de vida, principalmente se estiverem relacionados a queixas psicossomáticas como tensão, irritabilidade, cefaléia, dores musculares e ósseas. Podemos citar:

– Fogachos: ondas de calor intenso, prevalentes em face e sobre o peito e interferem diretamente nas atividades cotidianas e sono.

– Incontinência urinária (IU): principalmente de esforço, ocasionando grande impacto social, psicológico e econômico. Acontece devido à falta de estrogênio, que gera uma alteração do tônus e trofismo do assoalho pélvico e mucosa vaginal e sensibilidade dos receptores alfa-adrenérgicos da uretra.

– Secura vaginal: perda da lubrificação normal da vagina.

– Dificuldade de esvaziamento vesical: sentir que não conseguiu esvaziar toda sua bexiga, precisando, muitas vezes, realizar força ou urinar minutos em seguida.

– Aumento da frequência miccional: sendo o ideal uma mulher urinar de 6 a 8 vezes por dia.

– Noctúria: acordar durante a noite para urinar.

– Disúria: dor, ardor ou desconforto no momento de urinar.

– Dispareunia: dor durante a relação sexual, podendo ocorrer devido secura vaginal, IU, fatores psicológicos ou diminuição da libido.

– Corrimento vaginal e/ou prurido vaginal: acontece devido as mudanças hormonais e pela secura vaginal.

– Anorgasmia: atraso ou ausência recorrente ou persistente de atingir o orgasmo.

– Transtorno do desejo sexual: quando a mulher apresenta diminuição ou até mesmo ausência total de fantasias e desejo da atividade sexual.

Todos os sintomas que podem levar a uma disfunção sexual devem ser correlacionados com possíveis fatores psicológicos, como depressão e transtornos de ansiedade, conflito no relacionamento ou até abuso sexual prévio e maus tratos físicos; endometriose ou outras patologias que podem estar relacionadas.

É necessário ficarmos atentos também às doenças cardiovasculares, pois embora as mulheres possam manifestar os mesmos fatores de risco (tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, sedentarismo, estresse, diabetes mellitus, hipercolesterolemia e antecedentes familiares), para as doenças que os homens, no período do climatério o risco aumenta para elas, principalmente após os 55 a 60 anos.

A osteoporose é outra complicação importante, devido ao hipoestrogenismo, destacando-se por representar 40% das doenças crônicas (musculoesqueléticas), causando incapacidade em mais da metade das mulheres.

Certo. E onde a fisioterapia entra em todo esse contexto? Nosso trabalho surgiu a partir da contraindicação do uso da terapia hormonal, sendo procurada como um recurso alternativo para melhorar os sintomas que essas mulheres apresentam.

Está comprovado que realizar atividades físicas regularmente, com controle de sua intensidade, duração e frequência, trás benefícios físicos e mentais, uma vez que estão diretamente ligadas aos sintomas desencadeados pelo hipoestrogenismo. Levando em consideração que o climatério acontece concomitantemente com os sintomas também do envelhecimento, exercícios trazem maior qualidade de vida, bem estar e redução desses sintomas, desde as ondas de calor, devido liberação de beta-endorfina, até prevenção de doenças cardiovasculares, através do controle de peso, melhora da sensibilidade de insulina e tolerância à glicose, sem contar o controle e redução da osteoporose.

Com relação aos sintomas uroginecológicos e disfunções sexuais, a fisioterapia com como papel cuidar do assoalho pélvico, ensinando essas mulheres a conhecerem melhor sua região intima, criando maior consciência corporal, aprendendo a relaxar e contrair o períneo, possibilitando ganho de força e flexibilidade, ocasionando maior lubrificação, controle das ações durante o ato sexual e consequentemente mais prazer e menos dor.

É realizado um trabalho corporal completo, envolvendo respiração, fortalecimento e muito relaxamento, além de conversa e compreensão, sabendo que muitos sintomas podem estar ligados a condições psicológicas da idade ou até traumas prévios a menopausa. O tratamento todo é realizado em ambiente fechado e confortável, onde os exercícios podem ser realizados em diversas posições, inclusive com uso de bolas, eletroestimulação, cones vaginais, dilatadores vaginais, gelo e compressas de água quente, tudo depende da paciente e do que ela necessita no momento.

Lembrando que o ideal é que as mulheres passem por uma avaliação física geral e do seu assoalho pélvico, que seja explicado passo a passo como será feito o tratamento, tanto do períneo quanto as atividades físicas gerais, trazendo como ótima opção, o Pilates.

É importante incentivar as mulheres a se conhecerem e se cuidarem, para prevenir maiores desconfortos futuros, assim como também é importante que os profissionais da área da saúde saibam que nós, fisioterapeutas especialistas em Saúde da Mulher, existimos e somos treinados para atender essa população da melhor maneira.

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