Elza Soares diz que faz fisioterapia todo dia para aguentar a carga de shows

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“Você. Você. Me chame de você”. Aos 78 anos e com oito pinos nas costas, Elza Soares rechaça as fórmulas de cortesia próprias da sua idade. A cantora acaba de lançar seu último disco

A mulher do fim do mundo, o primeiro trabalho patrocinado da sua carreira e o primeiro completamente inédito. O sucesso do trabalho está sendo “assustador”, diz Elza do que já é, “por enquanto”, seu disco favorito.  Elza investe horas de fisioterapia diária para apresentar nos palcos suas novas músicas. E já tem espaço para um novo projeto: interpretar músicas de Amy Winehouse. O pai da cantora – morta em 2011 por uma intoxicação etílica –, virá ao Brasil para a turnê de seu álbum, Rush Of Love e fez questão que Elza Soares tivesse uma participação especial não só no disco como também nos shows.

Nas novas letras, especialmente escritas pela vanguarda musical paulistana para a versão mais moderna de Elza Soares, fala-se de sexo, da sobrevivência de um travesti, da quebrada, de música, de violência machista ou da morte com um delicioso ritmo que transita entre o samba, o rock  e o rap. Durante a gravação, dois meses atrás, Elza perdeu seu quinto filho, Gilson Soares, de 59 anos, por complicações derivadas de uma infecção urinária.“Tive que me manter de pé e firme. Há um ar de tristeza quando estou cantando o disco porque justamente estava muito desgastada e triste”, afirma Elza, que foi mãe nove vezes. Durante sua carreira, ela já havia sofrido o drama de perder um filho em 1986, quando Garrinchinha, filho dela com o jogador Garrincha, morreu num acidente de carro. “Os filhos que morreram pequeninhos eu não tenho muita recordação. Morreram após nascer, por falta de alimentação. Mas você perder um filho depois de grande é duro”. Elza perde o olhar uma única vez durante a conversa, mas se recupera rapidamente e corta: “c’est la vie”.

A entrevista foi marcada no apartamento da cantora em Copacabana, cuja única extravagância é um aparelho de som para fitas cassete e um enorme janelão com vistas para o mar. Elza, ainda se recuperando de várias cirurgias na coluna, chega do quarto devagar, apoiando seus passos nos dos seus assistentes que a ajudam a aterrissar no sofá. Vestida completamente de preto, com um enorme decote que ameaça saltar a qualquer momento e com sobrancelhas e peruca roxo escura Elza finalmente se senta, olha no olho e dispara: “Vamo lá!”.

 

Fonte: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/28/cultura/1445997545_661801.html

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