Cachorros ajudam no tratamento de idosos em São Paulo

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Pessoas idosas que vivem em asilos de São Paulo têm recebido visitas que só fazem bem. Que só levam carinho. Nunca problema.

Elas têm sonhos e fantasias que já foram registrados em fotos. Mas a realidade das idosas que vivem no asilo mostrado na reportagem é outra.

“Dona Marta também morava em situação complicada. Ela ficava sozinha o dia inteiro e fazia uma refeição por dia. As pessoas nos perguntam ‘poxa, não casaram, não arrumaram uma profissão?’. Elas normalmente são pessoas que tem alguma deficiência física ou mental, então passaram a vida inteira dentro dessa casa”, explica o diretor administrativo do asilo, Josué Ailton Coelho.

O abandono é dor comum também entre eles.

“Esse é o Bóris, ele tem 4 anos. Acharam que era um bichinho de pelúcia e aí como ele começou a fazer arte, que todo cão faz, deixaram ele na rua”, diz a psicóloga Cristiane Blanco.

Mas o mundo, pra nossa sorte, pode ser costurado com laços de afeto, desses que unem homens e animais.

“Esse é o Aníbal, ele tem 12 anos, é o sem raça definida. Um vira lata autêntico – ele é muito solidário com as pessoas”, mostra a psicóloga e adestradora Fátima Maria da Conceição Neves.

E é por fazer um bem danado que esse chamego todo virou terapia.

“A ideia do Inataa é justamente isso. Levar as pessoas do ambiente asilar e do ambiente hospitalar levar um pouco de carinho, um pouco de amor, um pouco de confiança”, diz a presidente voluntária do Inataa, Vera Abruzzini.

Há quatro anos, duas vezes por semana, as idosas recebem uma visita muito especial. E não é exagero dizer que tem magia nesse encontro.

Lá vem eles e lá se vão o tédio, a tristeza.

Dona Benvinda se diverte com as gracinhas da maltês Marie. Dona Marta lembra dos tempos em que lidava com seus bichos no sítio em que morou.

“Tinha. Seis. Era tudo policial, pastor alemão. No sítio na colônia no Paraná”, relembra a aposentada Marta Nevack.

Dona Edith ganha do Bóris uma molhada demonstração de carinho.

“Quando a gente está triste ele sente. Ele fica perto da gente”, diz a aposentada Edith Oliveira.

E a terapia não fica só nisso. Uma vez por semana os cães viram também ajudantes da fisioterapia. Força, equilíbrio. Eles fazem bem pro coração e pro corpo inteiro.

É tudo tão bonito que virou calendário, um jeito de arrecadar dinheiro para o adestramento. Os voluntários são treinados para transformar os seus melhores amigos em terapeutas e melhores amigos dos outros também.

“Essa é a Marie, uma maltês, ela tem 4 anos já faz mais de três que ela trabalha como cão terapeuta”, diz a consultora Selma Iza.

“Essa é a Lunis, ela vai fazer 17 anos. Eu sou Alessandra, voluntária e ela é uma cão terapeuta”, mostra a voluntária Alessandra de Araújo Ribeiro.

E não resta dúvida de que na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, fica melhor quem tem um amigo desses.

 

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/10/cachorros-ajudam-no-tratamento-de-idosos-em-sao-paulo.html

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